Resenha – O guia do cavalheiro para o vício e a virtude, Mackenzi Lee. (Romance LGBT)

Tempo estimado de leitura 6 min leitura

OPINIÃO SEM SPOILER:

Sabe quando determinado livro cai no seu colo? Foi bem assim que aconteceu com esse, já sabia que era um livro super bem falado e que tinha no Kindle Unlimited, mas quando vi por um preço bem camarada acabei comprando o físico também, intercalei a leitura. Costumo ir ler romances históricos com um pé atrás, já que geralmente a história é bem maçante, e por conta disso fui muito surpreendida com tudo o que essa história me causou, é incrível. Imagina misturar romance LGBT, cultura Europeia, bom humor, piratas, roubo, traumas familiares, busca pelo conhecimento e muitas outras abordagens nada a ver, sem deixar que essa receita se perca. Havia algum tempo que eu não torcia tanto por um casal, fiquei agoniada sempre que a autora brincava com meus sentimentos. Cada capítulo, mesmo que curto, trazia grandes momentos de adrenalina. A edição é ótima com letras grandes. Um dos pontos altos é a forma como a epilepsia era vista há muitos anos, bem como o tratamento dado às pessoas gays naquela época. Tem continuação sem necessariamente ser uma sequência, pode ficar só nesse ou emendar.

Opinião com Spoiler:

Henry Montague não é um jovem a ser domado. Seu pai já não sabe mais o que fazer para colocar um pouco de juízo no filho e fazer com que Monty se interesse pelos negócios da família. Ele e seu pai fazem um acordo: ele assumiria os negócios da família depois que voltasse de seu Grand Tour pela Europa. Esta viagem seria uma forma dele aproveitar o que resta de sua liberdade. Partindo com sua irmã mais nova, Felicity e seu melhor amigo, Percy, Monty vai aproveitar esta chance para curtir muitas festas regadas a bebidas e muitas conquistas. Contudo, a notícia de que uma pessoa escolhida pelo seu pai iria com ele para controlá-lo é como um balde de água fria para o garoto. Se isso não fosse o bastante, Monty ainda precisa esconder sua paixão por Percy.
Ele está finalmente fazendo um Grand Tour pela Europa, que consiste em visitar vários lugares de uma vez por um ano, e conhecer melhor cada local. Assim, ele embarca nessa viagem com Percy e sua irmã Felicity. Não preciso discorrer muito sobre isso, para o leitor adivinhar que nem tudo será flores.
Monty acaba se metendo em problemas e carrega Percy e Felicity com ele. Os três, além de já estarem em uma aventura, embarcam em mais uma, essa bem mais perigosa. Em vista que estão em uma situação de vida ou morte, com o Grand Tour comprometido, os três viverão situações que irá moldá-los.
O guia do cavalheiro para o vício e a virtude tem muitos personagens encantadores e incríveis. Monty narra o livro em primeira pessoa e não é o melhor dos protagonistas. A princípio acabei ficando bem estressada com as atitudes dele. Podemos considerá-lo um libertino para a época. Mas não é só isso. Ele também age com infantilidade e parece imaturo em algumas decisões.
Mas também consegui compreender qual objetivo da autora em construir Monty. Ele é um dos personagens que mais tem um desenvolvimento notável na trama. Monty é um personagem bissexual, e já podemos notar que há representatividade na obra. O protagonista também é apaixonado pelo seu melhor amigo, Percy. Porém, embora esteja apaixonado, ele não descarta as várias outras opções de sua vida libertina.
Percy que se destacou e ganhou meu coração, ele é um personagem birracial, com a pele mais escura que o aceitável para a época. Ele não é escravo porque essa prática já havia sido abolida na Inglaterra, porém, o racismo ainda era bastante concentrado em todos os lugares. O personagem sofre com esse fato em vários momentos. Seu status social é elevado para os padrões de um negro da época, e mesmo assim há várias práticas de racismo com ele. É impossível não se apaixonar por ele, ainda mais quando vemos como ele cuida do melhor amigo. Percy é tão amoroso e atencioso, que torcemos muito para que ele também retribua os sentimentos de Monty, e que eles fiquem juntos no final.
Já Felicity é uma das personagens mais legais do livro, com 15 anos ela foi ao Gran Tour do irmão sem permissão. Sua inteligência surpreende. Sua personalidade encanta. Ela é uma menina que não quer simplesmente frequentar uma escola onde aprenderá a ser uma boa dama da sociedade. Suas ambições são muito maiores do que ser apenas uma dama prendada. “Preferiria estudar medicina a ir para a escola de etiqueta. Era o que eu queria. Mas não permitem moças nas universidades. Moças vão para a escola de etiqueta e rapazes vão para a escola de medicina.”

Conclusão:

A autora trouxe de forma bem construída as questões: raciais, mostrando a discriminação em relação a Percy, que é um garoto negro; a questão de homofobia, pois o relacionamento homoafetivo era visto como crime na época; uma relação familiar bem conturbada e, também, encontramos em suas páginas uma crítica ao machismo da época, onde Felicity mostra como é vista perante aos seus interesses e que mulheres devem apenas aprender lições de etiqueta. ⠀Com certeza, a bissexualidade inserida na história, e como foi colocada no contexto, me deixou maravilhada. Temos que ter em mente que a comunidade LGBT sempre existiu, porém, em alguns séculos atrás isso era proibido. Não podemos fechar os olhos e dizer que a comunidade LGBT é algo recente, houve luta para ser reconhecida e aceitada pela sociedade. Recomendo? COM CERTEZA!

CITAÇÕES:

“Por talvez um minuto inteiro, fico tão chocado que só consigo pensar, Meu Deus, isso está acontecendo mesmo. Percy está me beijando. Me beijando de verdade.”

“A esta altura, se Percy não sabe o que sinto, é o culpado por ser tão estupido.”

“A maioria das pessoas que conhecemos olha descaradamente como se Percy fosse uma obra de arte em exibição ou finge que ele não existe.”

Informações Extras:

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